À conversa com Cifrão: a realidade dos bailarinos em Portugal

Reconhecido como uma das figuras mais influentes da dança em Portugal, Cifrão fala sobre o caminho que o trouxe até aqui, os desafios de manter uma carreira artística sólida e a missão de inspirar novas gerações a descobrir a sua própria voz através do movimento.

Muitas pessoas conheceram-te primeiro através da televisão e da música, com o fenómeno dos D’ZRT, e só mais tarde acompanharam o teu trabalho na dança e na coreografia. Como se construiu este percurso com linguagens artísticas muito diferentes?

Na verdade, este percurso construiu-se ao contrário.

Comecei na dança aos 16 anos, muito tarde para quem quer ser bailarino profissional, mas com muito esforço e dedicação, acho que consegui atingir um nível porreiro.

Primeiro comecei a dançar, depois descobri a música e frequentei o conservatório Dom Dinis. Não o acabei, para entrar nos Morangos com Açúcar, mas foi dentro dessa formação que descobri a representação.

Entretanto, comecei a dedicar-me a aulas e a cursos de dança, para poder evoluir e ter mais capacidades, porque para dançar obviamente tens de trabalhar o corpo, mas também tens de trabalhar a voz e a forma como sentes as coisas.

A música e a representação trouxeram-me um bocadinho isso, ajudaram-me a crescer como bailarino, e depois ‘cair’ na série dos Morangos com Açúcar, acabou por ser um passo mais ou menos natural.

Antes disso, estive em Londres durante nove meses a trabalhar e a ter formação e, quando voltei, soube do casting, entrei, e foi aí que realmente que as pessoas começaram a acompanhar o meu trabalho na televisão e depois com D’ZRT, na música.

Mas a verdade é que o meu percurso começou ao contrário. Comecei pela dança, depois fui para a música e depois para a representação. Nos Morangos eu consegui abraçar tudo e, já no decorrer das gravações, o realizador (diretor do projeto) percebeu que eu sabia coreografar e deixam-me coreografar as minhas cenas.

A partir desse momento, eu comecei a coreografar os Morangos todos até à última temporada. Creio que só nos Morangos 5 é que uma colega minha ficou a coreografar. Eu tive de sair por causa de um exame e voltei outra vez na 6ª temporada. A série teve nove temporadas no antigo formato e agora tem muitas mais, que eu também continuo a coreografar.

Em que momento percebeste que a dança passaria a ocupar o centro do teu percurso artístico?

Aqui há um detalhe muito específico, é que eu cresci na dança. A dança é a minha arte principal. É onde eu acho que me destaco um bocadinho mais em função das outras áreas e é onde eu acho que posso fazer a diferença para o futuro.

É a área que eu mais me esforço para realmente apoiar, porque não é tão privilegiada em termos de direitos quanto as outras, não está tão regrada e embora as coisas estejam a evoluir bastante, mas eu acho que é onde eu posso fazer a diferença e por isso dedico-me muito mais.

Entretanto, voltaste à dança, ou seja, fechou-se o círculo. Não é?

Na verdade, eu costumo dizer que eu tenho a sorte de navegar em 3 mundos que eu gosto muito. Pode haver um ano que estou muito apaixonado pela dança, outro pela música e no seguinte é a representação que mexe mais comigo. Vou navegando nesses três universos conforme vou sentindo o que é certo para mim.

A carreira do de um bailarino é particularmente exigente, fisicamente intensa e muitas vezes curta. Do teu ponto de vista, quais são as maiores dificuldades enfrentadas pelos profissionais da dança em Portugal?

A minha opinião é que, se existem estatutos de profissões de desgaste rápido, a de bailarino deveria ser uma delas, e foi reprovada há algum tempo. Para os bailarinos de companhia é possível, mas para outro tipo de bailarinos essa meta ainda não foi atingida.

Outra grande dificuldade é a remuneração dos bailarinos. Ou seja, não houve uma valorização da profissão no mercado de trabalho.

Para mim, esse é um dos maiores problemas por diversos motivos, não só porque o mercado cresceu, mas também porque diversificou-se de tal maneira que abriu espaço para muito mais bailarinos trabalharem. Mas as remunerações não acompanharam este crescimento. Um bailarino que trabalha relativamente bem no mercado comercial dificilmente paga uma casa em Lisboa.

Ou seja, o mesmo valor agora está a ser dividido por muito mais profissionais…

Há uma boa possibilidade desse trabalho começar a ser valorizado se houver mais regras e se a classe se começar a juntar para as definir.  

Os bailarinos estão a conseguir prolongar a longevidade das suas carreiras, não só em termos físicos, mas também porque vão-se capacitando, tornam-se coreógrafos, professores ou diretores artísticos. A evolução está a ser acompanhada pelos bailarinos profissionais e hoje dança-se até muito mais tarde.

Resumindo, se houver respeito pela profissão em termos estatutários e ao nível da compensação financeira, a vida dos bailarinos pode tornar-se muito melhor.

Agora que integras a direção da GDA como representante dos bailarinos, que preocupações e prioridades gostarias de trazer para a discussão?

Devemos abrir um diálogo com os bailarinos para mostrar-lhes quais são as mais-valias de pertencerem a uma instituição como GDA, como o facto de poderem recorrer a apoios ou declarar as suas prestações artísticas. A maior parte dos bailarinos ainda não sabe bem o que pode declarar.

Levar mais a GDA para o meio dos bailarinos pode ser muito importante, porque existem realmente muitos apoios, existem realmente muitas formas de ajudar os bailarinos a transportarem as suas carreiras do ponto A ao ponto B, um ponto melhor, mais sério, mais internacional. Obviamente que esta ligação também poderá ajudar a que os bailarinos tragam o seu repertório para a GDA, entidade que gere os seus direitos conexos.   

Há muita informação que ainda não lhes chegou. A maior parte dos bailarinos ainda não sabe bem onde procurar informação sobre a declaração das suas prestações artísticas. Depois, há várias áreas de dança, há o clássico, há o contemporâneo, há o comercial, há as danças de rua e nem todas estas áreas estão ligadas entre si, ou se movimentam nas mesmas plataformas.

As redes sociais e o streaming trouxeram ainda mais confusão para esta discussão e acredito que possa ser uma mais-valia ao ajudar a esclarecer as diferentes áreas da dança.

Que mudanças gostarias de ver acontecer nos próximos anos, ao nível da organização da classe e da defesa coletiva da profissão, para que os bailarinos tenham melhores condições de trabalho, reconhecimento e proteção dos seus direitos?

Bem, eu acho que existe uma mudança que pode ser feita pelos próprios bailarinos, que ia ser um game change.

Se todos nós nos inscrevêssemos, por exemplo, num sindicato dos artistas de espetáculo, ou num local onde possamos ser defendidos, não por nós próprios, mas por uma instituição, acho que isso ia mudar tudo.

Nós temos vários exemplos fora do nosso país em que isso aconteceu e a valorização da carreira dos bailarinos aumentou. As condições de trabalho melhoraram, por exemplo, a definição do que é um ensaio e do que é um trabalho tornou-se visível e valorizada.

Acredito que, se houvesse essa mudança, todos os bailarinos – que são muitos, muitos, e agora cada vez mais com tantas áreas diferentes – esta união ia fazer uma força gigante.

Nesse caso, a classe teria muito mais força para defender melhores condições e valores de trabalho, em vez de cada bailarino ter de negociar sozinho com quem contrata.

Isso ainda não acontece atualmente. Há muito poucas inscrições no sindicato de artistas de espetáculo, talvez por não se identificarem com essa estrutura. Ainda assim, é um exemplo de como os profissionais da dança se podem organizar para defender melhor a profissão.

No entanto, se os bailarinos não acreditam que aquela é a plataforma ideal, na minha opinião deveriam criar outra. Se isso acontecesse, não haveria nenhum empregador que criasse os seus próprios valores e passavam a ser regrados por uma única instituição. Podia ser agarrada ao Estado, ou mesmo privada, desde que agregasse toda a classe dos bailarinos e ajudasse a definir o mercado de trabalho.

Esta é a grande mudança que, a meu ver, deveria acontecer e, sinceramente, acho que já deveria ter sido pensada há muito tempo.

Entrevista a Luís Sampaio: A evolução do Programa MODE relatada por um dos seus fundadores

A edição de 2025 do MODE está já em andamento desde o início de novembro. Conversámos com Luís Sampaio, vice-presidente da GDA e um dos responsáveis pela concepção deste programa. Nesta entrevista, revela os desafios, as inspirações e o contributo que este projeto tem trazido à valorização do repertório dos artistas representados.

O Programa MODE é um marco na preservação e sistematização do repertório musical em Portugal. Desde 2011, com efeitos retroativos a 2008, o MODE tem incentivado artistas a declarar as suas participações, referenciar obras gravadas e entregar suportes áudio, garantindo a documentação e integração nos sistemas de monitorização. Mais do que um processo administrativo, é um instrumento que assegura memória, identidade artística e visibilidade para repertórios que, de outro modo, permaneceriam invisíveis.

O impacto é expressivo: ao longo de quinze anos, o MODE reuniu um acervo superior a 5.000 álbuns, documentou 65.000 faixas, cerca de 180.000 declarações de repertório e aproximadamente 310.000 participações artísticas. Anualmente, participam no programa, cerca de 1.000 artistas. Nesta entrevista, Luís Sampaio, músico e vice-presidente da GDA, faz o balanço de uma iniciativa da qual é um dos principais mentores.

A GDA e a Fundação GDA lançaram recentemente mais uma edição do Programa MODE. Pode explicar o que é o MODE e qual o seu objetivo principal?
O MODE é um programa criado para incentivar os artistas a declarar as suas participações artísticas, referenciar o repertório gravado e entregar os suportes áudio das obras em que participaram. Embora surja integrado, no site da Fundação, entre programas culturais que abrangem várias dimensões da criação artística, o MODE atua sempre sobre obras pré‑existentes: não intervém na criação, mas na fase posterior, assegurando a sua documentação, identificação e preservação e permitindo a sua integração nos sistemas de monitorização de música. Trata-se, por isso, de um instrumento cooperativo de organização e memória do repertório dos artistas que conferiram à GDA mandato de representação universal. Ao longo de mais de quinze anos, o MODE permitiu reunir um acervo que ultrapassa mais de cinco mil álbuns, constituindo uma memória estruturada da música gravada por artistas‑intérpretes e executantes representados pela GDA.

Como surgiu esta iniciativa?
O MODE nasceu em 2011, com efeitos retroativos a 2008, numa fase em que a GDA precisava de ultrapassar a limitação dos processos em papel. Até então, a declaração das participações artísticas era manual, demorada e suscetível de erros, com todos os riscos associados ao registo em papel. O MODE permitiu introduzir, pela primeira vez, sistemas digitais de declaração, abrindo caminho para a modernização tecnológica que hoje utilizamos.

Foi igualmente através do MODE que a GDA iniciou um procedimento sistemático de submissão do áudio dos álbuns aos sistemas de monitorização de música através de fingerprinting. Este passo foi determinante: permitiu integrar nos sistemas de identificação um vasto repertório independente produzido e editado em Portugal – contribuindo para que obras que, de outro modo, permaneceriam invisíveis, passassem a ser identificadas em rádios, televisões e outros utilizadores, tanto em Portugal como noutros países. Nada disto teria sido possível sem o contributo da Evelin Kuhnle. Mais tarde, com a entrada do Bruno Gaminha, a GDA consolidou de forma decisiva a modernização da sua organização interna e dos seus sistemas operacionais.

O MODE segue a lógica cooperativa de “colher para semear”?
Segue, num sentido específico. O MODE não semeia criação — essa é anterior — mas semeia organização, memória e sistema. Garante que o repertório gravado pelos artistas fica identificado e preservado, reforçando uma das responsabilidades estatutárias da GDA: proteger a identidade artística e a memória do trabalho dos seus representados.

É no MODE que a relação entre a GDA e a Fundação GDA se torna mais visível?
O MODE foi concebido e é definido pela GDA, no âmbito das suas responsabilidades legais e estatutárias. A Fundação GDA assegura hoje a gestão corrente do programa, integrando-o na sua área de programação cultural e garantindo a sua execução operacional em conformidade com as orientações da cooperativa. Esta articulação permite que o MODE beneficie da estabilidade operacional da Fundação sem perder a ligação à missão da GDA.

Como é financiado o MODE?
O MODE é financiado por uma percentagem dos direitos cobrados pela GDA, destinada por lei e pelos estatutos à ação cultural e social. É esta afetação específica que possibilita a existência de um programa como o MODE.

Quem pode participar?
Podem participar artistas‑intérpretes ou executantes que tenham conferido à GDA mandato de representação universal, até ao final do ano de referência, e que tenham participado na gravação de um álbum editado nesse ano.

E produtores?
Apenas se tiverem, simultaneamente, desempenhado funções enquanto artistas‑intérpretes ou executantes.

E os autores?
O MODE destina‑se exclusivamente a artistas com participações artísticas fixadas e declaradas na obra sonora. Os autores não são abrangidos pelo programa, exceto se tiverem igualmente desempenhado funções enquanto artistas‑intérpretes ou executantes.

Como funciona o processo de participação?
O processo decorre em duas fases:

  1. Referenciar o álbum – mediante entrega de um exemplar físico ou, no caso de edições digitais, através do formulário próprio.
  2. Declarar as participações artísticas – indicando, faixa a faixa, a natureza da participação artística fixada na obra sonora (por exemplo, intérprete ou executante).

Não existe qualquer avaliação artística ou distinção de mérito. O processo é exclusivamente documental.

Por que razão o MODE exige suporte físico mesmo para edições digitais?
Porque o MODE tem também uma função de acervo de longa duração. O CD permanece um suporte estável e amplamente reconhecido para arquivo de obras sonoras. Ao longo destes anos, esse acervo tornou‑se ainda um testemunho visual da edição musical em Portugal. A observação das capas – nos seus grafismos, tipografias e tendências – reflete a evolução das linguagens visuais dentro de cada género, sublinhando o interesse cultural de um arquivo construído com esta amplitude temporal.

Que balanço faz do MODE? Pode indicar alguns números?
O balanço é muito positivo. Entre 2008 e 2024, o MODE permitiu documentar mais de 65 000 faixas, cerca de 180 000 declarações de repertório e aproximadamente 310 000 participações artísticas fixadas e referenciadas – números que ilustram o alcance e a importância sistemática do programa.

Nas edições mais recentes, participam cerca de mil artistas por ano – números que ilustram o alcance do programa e a sua importância sistemática.

De que forma o MODE reforça a sustentabilidade das carreiras dos artistas?
Antes de mais, através da melhoria da qualidade da informação relativa às obras e às participações artísticas. Mas há também um impacto menos visível: o MODE permitiu integrar no sistema repertórios que, de outro modo, teriam presença residual nos serviços de identificação. Graças ao MODE, esses repertórios passaram a estar documentados, referenciados e integrados na dinâmica cooperativa.

Como vê o contributo do MODE a médio e longo prazo?
Vejo o MODE como um instrumento de estruturação: melhora a qualidade dos dados, reforça a identificação das obras e cria, a longo prazo, um acervo que terá grande valor documental, cultural e histórico.

Quais foram os maiores desafios?
O principal desafio foi tecnológico: abandonar o papel e instituir processos online fiáveis. Em paralelo, a introdução sistemática do áudio nos serviços de fingerprinting permitiu dar visibilidade a repertórios que anteriormente não eram identificados.

Em que se distingue o MODE de outros programas existentes em Portugal?
O MODE distingue‑se por ser um programa de sistematização, documentação e preservação do repertório gravado por artistas representados pela GDA, assegurando a sua correta identificação, referenciamento e integração nos sistemas de monitorização. Não existia em Portugal, antes do MODE, um programa com esta escala e continuidade dedicado a esta vertente do trabalho artístico.

Que planos existem para o futuro?
O MODE continuará a evoluir com a modernização dos sistemas de gestão e identificação de repertório. Há espaço para simplificar procedimentos e reforçar a dimensão arquivística do programa.

Que mensagem gostaria de deixar aos artistas que ainda não participam no MODE?
Participem. A declaração de repertório é o nexo indispensável entre a utilização de uma obra e o artista que nela participou. Sem essa declaração — que exige identificação inequívoca e responsabilidade do declarante — a GDA não pode proceder ao pagamento dos respetivos direitos.

Participar no MODE é um ato de responsabilidade profissional e, ao mesmo tempo, uma garantia de que o seu repertório fica integrado na memória coletiva da música gravada.

MODE: o programa que incentiva artistas a declarar repertório não para de crescer

O Programa MODE tem vindo a consolidar-se enquanto incentivo à declaração de repertório por parte dos artistas intérpretes e executantes.

Promovido e executado em parceria entre a GDA e a Fundação GDA com o intuito de estimular o registo de repertório musical recente e, assim, contribuir para que os artistas sejam devidamente remunerados pela utilização pública das suas prestações artísticas, o MODE evoluiu de uma forma expressiva, como atestam o aumento da participação dos artistas e a valorização financeira do incentivo.

Entre 2020 e 2024, o programa registou um crescimento significativo. O número de declarações de participação aumentou 22%, atingindo um pico em 2022 e estabilizando, desde então, acima das 13.500 declarações anuais.

A partir de 2022, a introdução no MODE de álbuns disponibilizados exclusivamente em plataformas digitais, a par das obras físicas, impulsionou ainda mais a ampliação do repertório declarado. Assim, o número de álbuns referenciados para o programa teve um crescimento de 37% no total de álbuns referenciados.

Outro crescimento impressionante (83%) foi o das faixas extraídas para monitorização áudio, que atingiram um pico de 5.704 em 2024. É a monitorização dessas faixas pela GDA que permite identificar a sua utilização pública, assegurando a correta cobrança e distribuição dos direitos devidos aos artistas.

Em crescimento está também o número de artistas que beneficiaram do incentivo, tendo aumentado de 923, em 2020, para 1.112, quatro anos depois e também do incentivo médio pago aos artistas.

Estes dados podem ser analisados com mais detalhe nas infografias que acompanham este artigo.

Declarar o repertório: um passo essencial para os artistas

Desde a sua primeira edição, o MODE’08 (relativo a obras editadas em 2008) que o grande objetivo por trás deste programa é incentivar os artistas intérpretes e executantes a declararem o seu repertório. Essa declaração é o passo fundamental para que possam receber rendimentos provenientes dos direitos conexos que as suas obras geraram. Ou seja, para serem remunerados pela utilização das suas gravações em rádios, televisões e outros meios públicos. “Sem este registo, torna-se impossível à GDA cobrar e distribuir os montantes devidos a cada músico”, explica Luís Sampaio, vice-presidente da GDA.

Ao longo dos últimos anos, tem-se tornado evidente a necessidade de os artistas assumirem um papel cada vez mais ativo na proteção dos seus direitos e a declaração de repertório é o que está no cerne do desempenho desse papel. No atual cenário da indústria musical, onde os formatos digitais e as plataformas de streaming ganharam um peso significativo, o controlo sobre o repertório registado é essencial para que os músicos não fiquem para trás no sistema de distribuição de direitos. “A declaração do repertório constitui um ato essencial para a proteção do trabalho artístico. É através deste registo que se garante que intérpretes e executantes recebam aquilo a que têm direito, evitando que os seus direitos sejam negligenciados num sistema que depende da informação disponibilizada”, acrescenta Luís Sampaio.

MODE: Um Programa em crescimento e adaptação

Os números dos últimos cinco anos demonstram que o MODE não só tem crescido de forma sustentada, como também tem sabido adaptar-se às novas realidades da indústria musical. O aumento expressivo das declarações de participação e do repertório monitorizado confirma que mais artistas estão a tomar consciência da importância deste processo e a garantir a proteção dos seus direitos. 

A inclusão de álbuns digitais a partir de 2022 mostrou-se uma decisão estratégica, acompanhando as novas tendências do mercado. O aumento de mais de 100% no número de álbuns digitais declarados entre 2022 e 2024 prova que os artistas estão cada vez mais atentos às formas de registar e valorizar o seu trabalho. 

Além disso, a valorização dos incentivos atribuídos aos músicos em 2024, resultante de um aumento do orçamento do programa dos 200.000 € para 300.000 €, reflete um compromisso contínuo da GDA e da sua Fundação em assegurar que os artistas recebem um reconhecimento financeiro justo. O crescimento do incentivo médio pago aos intérpretes e executantes mostra que o MODE evoluiu de mecanismo de incentivo à declaração de repertório para uma ferramenta que fortalece a sustentabilidade da atividade musical. 

A evolução do MODE nos últimos anos mostra um caminho claro: mais artistas a registar o seu repertório, um acompanhamento mais eficiente da utilização das suas interpretações e uma maior valorização dos seus direitos.

Ao longo da sua existência, o MODE revelou-se um instrumento de consciencialização dos artistas para os seus direitos enquanto intérpretes e executantes.