juntos no mesmo palco
19 junho 2017

Rastreio Nacional da Voz Artística arranca com casa cheia em Vila Real

Emanuel, Paulo Vaz de Carvalho, Miguel Guedes ou Sérgio Agostinho foram alguns dos artistas que esta quarta-feira passaram pelo Centro de Saúde de Mateus no início do rastreio que GDA irá promover em todos os distritos e regiões autónomas. O secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, esteve presente e saudou a iniciativa.

Cantores e atores juntaram-se a professores e até jornalistas para participarem no primeiro Rastreio Nacional da Voz Artística, promovido pela GDA – Gestão dos Direitos dos Artistas em parceria com o Ministério da Saúde e com o Hospital Egas Moniz. O arranque foi esta quarta-feira em Vila Real e vai percorrer todas as capitais de distrito e regiões autónomas até 2018. Vila Real e Bragança são os primeiros distritos fora de Lisboa a receber uma operação que é dirigida a quem usa a voz como instrumento de trabalho – mas que também é aberta a toda a população.

“Está a cumprir-se com sucesso assinalável a primeira etapa desta ambição antiga da GDA: levar o rastreio da voz aos artistas residentes fora da áreas de Lisboa e Porto”, disse Luís Sampaio, vice-presidente da GDA, em Trás-os-Montes. “A extensão desta possibilidade à população possibilitou aos médicos locais encaminhar os seus casos mais prementes para obter opinião de um especialista, a Dr.ª Clara Capucho, o que se traduz numa grande mais-valia para os pacientes em causa”, afirmou.

“O objetivo é fazer um despiste nacional de voz, ver como está a saúde vocal dos portugueses. É a primeira vez que se faz um levantamento assim”, afirmou Clara Capucho, cirurgiã otorrinolaringologista que colabora há anos com a GDA e que é a responsável clínica pelo rastreio. Clara Capucho começa por fazer um questionário sobre as queixas dos utentes e a utilização da voz em termos profissionais e, depois, faz uma laringoscopia para visualizar as cordas vocais e ver se há lesões.

Miguel Guedes, dirigente da GDA e vocalista dos Blind Zero, foi ao rastreio a Vila Real e defendeu que os artistas que usam a voz como instrumentos de trabalho devem ter uma “atitude pró-ativa e antecipatória”. “Os cuidados com a voz, assim como os cuidados de saúde gerais, são fundamentais e, para a classe artística, então, são vitais”, afirmou.

Sérgio Agostinho, ator da companhia de teatro Peripécia, destacou por seu lado a oportunidade de ser “consultado em Vila Real por uma especialista que tem experiência em observar e tratar profissionais da voz”. Também o cantor Emanuel – que já é acompanhado há muitos anos por Clara Capucho – compareceu ao rastreio no centro de saúde de Vila Real, distrito onde tem as suas origens.

O músico fez questão de vir a Trás-os-Montes para “sensibilizar as pessoas” e alertar para que a “voz é uma parte do corpo fundamental” e com a qual é preciso “ter muitos cuidados”. No seu caso, exemplificou, bebe “pelo menos litro e meio de água por dia”, sendo que a primeira coisa que faz ao acordar é “beber dois copos de água norma”. Emanuel sublinhou o “trabalho missionário de Clara Capucho” e referiu que a médica “tem feito muito por esta área da medicina” em Portugal.

“A GDA e a Fundação GDA são orientadas para a melhoria das condições de trabalho e para o bem-estar dos artistas, desde logo através da distribuição de direitos pela utilização das suas obras”, afirmou Luís Sampaio. “Mas também tem a componente cultural e social, em que se inscreve o Rastreio Nacional da Voz, o apoio médico e jurídico, os apoios à criação e os prémios anuais: tudo isto faz da Fundação GDA quase um mini-ministério da Cultura, com orçamento e com políticas próprias deliberadas democraticamente pelos próprios artistas”.

O Ministério da Saúde associou-se à iniciativa, tendo o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, estado presente no lançamento do rastreio no Centro de Saúde de Mateus. “Tenho muito gosto em estar aqui hoje porque é o início de um processo de descentralização que vai durar mais de um ano”, afirmou Manuel Delgado.

Luís Sampaio saudou por seu lado o empenho do secretário de Estado, da ARS Norte e da Administração do Centro Hospitalar Lisboa Oriental – Hospital Egas Moniz, que estão a ajudar a GDA a levar o rastreio da voz a todo o país. “Quero também dar uma palavra de apreço para os artistas locais, que nos ajudaram a divulgar o rastreio e a sensibilizar os colegas e a população em geral para a sua realização”. A concluir, o vice-presidente da GDA endereçou os seus “agradecimentos à equipa do Centro de Saúde de Mateus, em Vila Real, cuja simpatia e profissionalismo tornaram esta ação num evento tão útil como agradável de executar”.

Fonte: DN/Lusa/GDA